quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Lyoto Machida promete estilo “sangue no olho” para recuperar cinturão dos meio pesados do UFC

“Procurando ver as coisas boas nos piores momentos”, foi desta forma que Lyoto Machida descreveu o período de sete meses em que ficou sem lutar no UFC, tempo suficiente para rever os erros e acertos daquele que, outrora invencível, levantou dúvidas nos fãs ao perder dois combates seguidos no octógono do evento.

No entanto, com uma bela maré de sorte, o carateca foi escalado nesta quinta-feira (6) para substituir Rashad Evans e disputar novamente o cinturão dos meio pesados do UFC, que foi seu em 2009, diante de Jon Jones, atleta de 24 anos que é considerado o “imbatível” do momento.

Dono da maior envergadura do evento, o americano dificilmente é acertado, tanto que não perdeu um round sequer na carreira, acumulando 14 triunfos e apenas uma derrota por desclassificação, quando punia Matt Hamill ferozmente na final da décima temporada do The Ultimate Fighter, em 2009.

- É uma questão de estratégia. Ele é um cara diferenciado, com grande qualidade técnica, mas a estratégia e o condicionamento físico vão fazer a diferença.

Feliz com a notícia e com o contrato assinado, Machida prepara seu camp em Belém e estuda a contratação de sparrings com tamanho e alcance similares ao do rival, em duelo que acontece no dia 10 de dezembro, em Toronto, no Canadá.

A chance, única na história do evento, poderá colocar o atleta que estava na geladeira novamente no topo da categoria mais disputada do MMA. Como fazer isso? “Com sangue nos olhos”, diz Machida em entrevista exclusiva ao R7, que você acompanha a seguir:

R7 – Quando você recebeu o convite para substituir Rashad Evans e enfrentar Jon Jones?
Machida – Foi hoje [quinta-feira] mesmo. Já recebi a noticia, o contrato e já assinei. Está tudo certo, só estou esperando o momento da luta mesmo.

R7 – Esse período de dois meses é o tempo certo para se preparar?
Machida - Acredito que sim. Teremos tempo suficiente, porque nunca fico completamente parado. Sempre mantenho 60% da minha condição física, e isso vai me ajudar a estar com ritmo para a luta em oito semanas.

R7 – A pergunta que todos os fãs querem te fazer é a seguinte: o que fazer para vencer o Jon Jones?
Machida - É tudo uma questão de estratégia. Ele é um cara diferenciado, com grande qualidade técnica, mas a estratégia e o condicionamento físico vão fazer a diferença. Também sou um cara técnico, e defendo minhas habilidades.

R7 – Você é um atleta conhecido por contra golpear bastante. Acha possível contra-atacar um adversário que possui a maior envergadura do UFC?
Machida - Com certeza. Mas vai ser uma luta não apenas de contra ataque, até porque ele é o atual campeão. Então, vou ter que buscar um pouco mais a luta. Mas é difícil falar, vai depender do que ele vai me dar. Terei que ter uma arma para cada atitude dele. Mas já treinei com caras mais altos e já lutei com caras mais altos d que ele no caratê, então tenho como simular e mensurar essa diferença.

R7 – A primeira vez que você lutou pelo cinturão, contra o Rashad Evans, você substituiu o Quinton “Rampage” Jackson...
Machida – A gente espera que sim [risos]. Mas cada momento é um momento, cada luta é luta. Não quero pensar muito no que aconteceu, vou focar nessa luta e espero que dê certo novamente.

R7 – Como você vê sua situação no evento? Está tudo resolvido?
Machida - Sempre achei que não teve problema nenhum. Claro que a situação de eu não responder a um pedido deles pode ter afetado um pouco no momento, mas, no fim do dia, todos entendem que isso é um business. Tanto que vou lutar pelo cinturão de novo, o que mostra que não sobrou nenhum resquício e já está tudo resolvido.

R7 – Você acha que estava na geladeira do evento?
Machida - Sempre procurei pensar pelo lado positivo. Logicamente, com algumas atitudes que foram tomadas eu pensava: “Será que estou mesmo na geladeira?”. Mas procurava esquecer e viver o momento, acho que precisava curtir isso. Treinei mais, estudei novas coisas, melhorei meu inglês, dei palestras, fiz seminários e treinei mais caratê. Utilizei esse momento de dificuldade, sem luta, para uma coisa boa.

R7 – Para o UFC 140, você pretende treinar com os irmãos Nogueiras no Rio de Janeiro, já que eles competem na mesma noite?
Machida – Não, vou treinar aqui em Belém. Vou procurar trazer sparrings de fora para me ajudar. Mas, claro, posso fazer cinco dias de treino por lá, mas a minha base, minha família, está aqui.

R7 – Para terminar, quer mandar um recado para seus fãs que te acompanham aqui no R7?
Machida - Quero agradecer a força de todos. Fiquei sem lutar, mas sempre me senti bem recebido pelos fãs. Vou me esforçar muito para dar o meu melhor. Vou em busca dessa vitória, com sangue no olho, para trazer esse cinturão de volta ao Brasil.

R7

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