quarta-feira, 25 de abril de 2012

Final será no Mangueirão

Polícia Militar e Ministério Público barram o Baenão e jogo acontece no Colosso do Bengui

Em reunião realizada na manhã de ontem, o Ministério Público Estadual e a Polícia Militar vetaram a utilização do Baenão para a partida de volta das finais do segundo turno do Campeonato Paraense – a Taça Estado do Pará. Por questões de segurança e logística, a grande decisão será disputada no Mangueirão, contrariando o desejo da diretoria remista, que pretendia tirar proveito do "caldeirão azulino" para confirmar o título do returno frente ao Águia de Marabá.

Após a conversa a portas fechadas com o coronel Hilton Benigno, comandante do CPC (Comando de Policiamento da Capital), e os promotores públicos Marco Aurélio e Nilton Gurjão, o presidente do Remo, Sérgio Cabeça, acabou cedendo aos argumentos das autoridades.

"Pensamos em toda estrutura de segurança para que o jogo pudesse ser realizado no nosso estádio. Mas devido ao Estatuto do Torcedor, vamos levar o jogo para o Mangueirão. Lá o torcedor terá mais conforto e segurança para assistir a partida", afirmou o cartola, que chegou a tentar um acordo propondo a redução da lotação na final de 12 mil para 9 mil ingressos.

Para o coronel Hilton Benigno, a decisão não só contempla o Estatuto do Torcedor como também era a "melhor decisão" a ser tomada, principalmente depois do tumulto ocorrido durante a entrada de torcedores no Baenão para o jogo de volta das semifinais do returno, no último dia 15, contra o São Francisco. Na ocasião houve arrombamento de um dois portões do estádio e, não fosse a intervenção da própria Polícia Militar, uma tragédia poderia ter acontecido.

"Acreditamos que foi a melhor decisão que poderíamos ter tomada no momento. No ano passado, tivemos problemas na final entre Paysandu e Cametá, na Curuzu, com a invasão do gramado após o apito final do árbitro. No último jogo do Remo contra o São Francisco, no Baenão, a Tropa de Choque precisou agir para evitar a invasão de torcedores e um problema ainda pior, que poderia até redundar em um grande número de feridos e até no óbito de algum torcedor", enfatizou Benigno, logo após a reunião realizada na sede do CPC.

Polícia diz que bicolores planejavam ataques nas redondezas do estádio

De acordo com o oficial, o serviço de inteligência da Polícia Militar também havia detectado, por meio do monitoramento das redes sociais, que ao menos uma torcida organizada do Paysandu estava planejando a realização de atos de vandalismo nas proximidades do estádio remista.

Ingressos – Impossibilitado de usar o seu "caldeirão" da final da Taça Estado do Pará, o Remo resolveu baixar o preço dos ingressos do jogo contra o Águia de Marabá, rival na luta pelo título do returno, para lotar o Mangueirão, no próximo domingo, às 16 horas.

A venda dos bilhetes terá início nesta quinta-feira, das 9 às 16 horas, no Baenão e na sede social do clube, na Avenida Nazaré. Os valores variam entre R$ 5 e R$ 30, incluindo a meia-entrada. "Precisamos conquistar o segundo turno de qualquer maneira, pois nosso maior objetivo no ano é o título estadual e a vaga na Série D. Por isso, os torcedores têm de comparecer para empurrar o time nesta grande decisão", convocou Sérgio Cabeça.

Para o duelo, a diretoria remista colocou a carga máxima de ingressos (42 mil). Serão 31.450 arquibancadas a R$ 10, 3 mil cadeiras a R$ 30 e 1.570 meias-entradas a R$ 30. Haverá ainda 3.330 gratuidades. Se todas as entradas forem vendidas, a arrecadação total do jogo será de R$ 422.600,00.

Azulinos lamentam "perda de mando de campo"

Apesar da diretoria do Remo ter assimilado pacificamente a decisão da Polícia Militar e do Ministério Público de levar a decisão da Taça Estado do Pará para o Mangueirão, os jogadores do Remo não esconderam a insatisfação com o que consideraram uma "perda de mando de campo", simplesmente pelo fato de não poderem atuar no Baenão.

"Todos sabem das condições do estádio de Marabá e fomos obrigados a jogar lá. Além do gramado e tudo mais, tivemos a torcida deles contra, o que é algo que qualquer time que joga fora de casa tem que enfrentar. Mas nós, nesta final que vale um título que o Remo tanto quer, fomos impedidos de jogar do lado da nossa torcida. Isto é uma decepção", exagerou o capitão azulino.

O jogo deste domingo será o segundo da disputa pelo returno do Parazão. Na partida de ida, o Remo venceu por 1 a 0 e agora pode até perder por um gol de diferença para assegurar o troféu. Mas nem mesmo essa ampla vantagem parece deixar o capitão remista tranquilo para a partida decisiva do próximo domingo.

Ele lembrou que a equipe azulina estará desfalcada de quatro titulares - Adriano, André, Magnum e Cassiano - e, portanto, precisaria da ajuda de seu "caldeirão", como ocorreu na Série do Campeonato Brasileiro de 2006. "Naquele ano, não fomos rebaixados para a Série C porque tivemos a força do Baenão a nosso favor. É triste não poder contar com esta força, ainda mais em uma final", lamentou.

Revoltado com a mudança no local da partida, Diego Barros ainda encontrou tempo para investir contra a Federação Paraense de Futebol (FPF) e o contestado árbitro Marco Antônio Macedo, que apitou o jogo de ida, domingo passado, em Marabá.

"No primeiro jogo, tivemos a pior arbitragem do campeonato. O cara queria tirar todo mundo com os cartões. Ele foi escolhido através de um sorteio na Federação (Paraense de Futebol) e agora a FPF permite que o jogo seja no Mangueirão. Acho que eles (FPF) devem ser mais discretos em suas decisões com os times", disparou.

Amazônia.

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