Lyoto Machida volta à capital paraense depois de redenção no UFC
O chute à la Karatê Kid que nocauteou o experiente Randy Couture parece ter reforçado a condição de herói alcançada
pelo paraense Lyoto Machida. O lutador chegou ontem à noite em Belém e foi recebido pela esposa Fabyola, que antes de conseguir dar o primeiro beijo no marido, viu uma multidão de fãs e repórteres o cercarem. O cansaço não impediu o Dragão de atender os inúmeros pedidos de fotos e autógrafos, sempre com um sorriso no rosto. A pressão pelo resultado e prolongamento de contrato com o UFC já passou. Agora ele pretende descansar alguns dias e voltar à rotina: Lyoto sabe que tem mais pressão pela frente.
A plástica do momento que definiu o combate entre Lyoto Machida e o veterano Randy Couture rendeu diversas comparações. A mais comum delas é a associação com a cena final do filme "Karate Kid", mas o chute idêntico desferido por Anderson Silva em Vitor Belfort aparece em segundo lugar. Lyoto disse ter escutado uma definição como "o voo do Dragão".
No entanto, o voo que trouxe o Dragão de volta à capital paraense atrasou cerca de 20 minutos. No saguão de desembarque do aeroporto de Belém, Fabyola, esposa de Lyoto, até gostou do fato de não ter visto fãs ali. Eles, porém, pareciam estar à paisana. Foi só o lutador aparecer no saguão para uma multidão cercá-lo, fosse para parabenizá-lo pela vitória, para conseguir um aperto de mão, uma foto ou um autógrafo. A procura foi tanta que a esposa foi uma das últimas a recepcioná-lo. E pensar que Lyoto estava preocupado em saber, após a luta, se havia gente o assistindo.
"O foco era muito grande em cima da luta. A partir do momento que viajo, procuro me desligar das coisas daqui. Mas, após a luta, queria saber. Para mim é gratificante defender o Pará, que tem um público muito fiel, na vitória ou na derrota", disse ele.
O foco a que o lutador se refere foi primordial para passar por um desafio que era vital para sua continuidade no esporte que é o seu sustento: por muito tempo antes da luta, ele conviveu com pressões que vinham de todos os lados.
"Acho que foi a junção de muitas coisas que determinaram o meu sucesso: retornar, lutar com uma lenda, um cara que construiu e fez muito pelo esporte. O nocaute é a minha volta por cima", disse.
Lyoto também falou que as críticas vindas do presidente do evento, Dana White, serviram como uma motivação extra, o que não excluiu a mágoa com o empresário. "A gente vai do céu ao inferno muito rápido", destacou. Porém, quando a luta terminou, veio do próprio Dana a possibilidade de Lyoto realizar um desejo: o de ter uma revanche contra Shogun, que lhe tirou o cinturão. A hipótese alegrou o lutador, que foca novamento o cinturão. "Uma revanche estaria de bom tamanho para mim. A forma como aconteceu naquela luta, sem desmerecer o Shogun, pede outra", disse.
A única coisa que ainda deixa triste Lyoto foi o fato de o chute ter quebrado um dente de um companheiro de profissão. "Fico triste e feliz, por outro lado. Feliz pela vitória, que eu precisava, mas triste pelo acontecimento. Ninguém quer machucar um colega", encerrou.Lutador paraense conta influência de Seagal em novo estilo
Lyoto desembarcou em Belém ao lado de Walter Broca, mestre em jiu-jitsu que lhe deu a faixa preta e o treina até hoje. Broca, que também lutou MMA, revelou que durante a preparação para o combate - que durou 12 semanas - houve um grande enfoque na luta no chão.
"O objetivo maior era evitar que a luta fosse para esse lado. Treinamos a defesa dessas quedas e deu tudo certo, o Couture não o encontrou", destacou, lembrando que o norte-americano tem o wrestling muito aprimorado.
Quem também teve papel importante na preparação foi o lutador brasileiro Anderson Silva e o mestre em aikidô e ator hollywoodiano Steven Seagal, a quem Lyoto agradeceu pelo golpe. Seagal também levou os créditos pelo nocaute semelhante aplicado em Vitor Belfort.
Ontem, Lyoto revelou que o golpe é uma espécie de "ABC" do caratê, estando presente na maioria dos katás, e que lhe foi passado por seu pai, Yoshizo.
"Meu pai sempre ensinou o mae geri e treinamos isso no início da preparação. O Seagal gosta de estar comigo e, com o Anderson, nos acompanhou durante essa preparação. Ele falou muito sobre o mae geri, disse que aquele golpe entra e me incentivou a usar na hora da luta", revelou.
Mas nem só de técnica viveu o Dragão paraense antes do combate: na véspera da viagem, Lyoto revelou ter ido até o mercado do Ver-o-Peso para não dar brecha para o azar.
"Tudo vale a pena quando se precisa vencer. Fizemos tudo como manda o figurino e usamos todo o arsenal que estava à disposição", disse.Amazônia Hoje.
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