O segundo jogo da final do Parazão, no próximo domingo, entre Paysandu e Independente, terá contornos políticos e deixará a disputa ainda mais apimentada. O motivo? A divisão territorial do Pará. No primeiro jogo da final, no domingo passado, o time do Paysandu entrou no gramado do estádio Navegantão, em Tucuruí, segurando uma faixa com os seguintes dizeres: "Não à divisão do Estado". Quem estava no Navegantão sentiu o mal-estar e uma "quase" vaia saiu dos quase quatro mil torcedores que foram assistir à final. A resposta deve vir na mesma moeda e o presidente do Independente, Deley Santos, já prometeu que seu time também vai entrar com uma faixa, na segunda partida da final, no Mangueirão. Desta vez, a mensagem será a favor do Estado do Carajás.
Tucuruí é uma das 39 cidades que ficam na área reivindicada como Estado do Carajás. No momento em que o debate sobre a divisão do Pará começa a se acirrar, o Paysandu colocou lenha na fogueira em plena final do Parazão e tirou a discussão dos púlpitos para colocar no gramado. Esse tipo de situação não é novidade no futebol. O caso mais recente foi na semifinal da Copa dos Campeões, disputada entre os rivais espanhóis Real Madri, da capital, e Barcelona da região da Catalunha. Os times materializam o embate político entre as duas regiões, já que a Catalunha se reivindica como nação. Em escala menor, o embate, no Pará, é também de cunho separatista, só que dentro de um mesmo Estado.
Está declarada a primeira guerra de faixas do futebol paraense. Logo ao final da partida, o presidente da Independente anunciou que o Galo Elétrico também terá a sua vez de afrontar a torcida adversária. A delegação de Tucuruí deve chegar a Belém somente na sexta-feira, mas Deley Santos desembarca hoje na capital. Para ele, a faixa integralista foi uma "atitude deselegante e desrespeitosa". "Tucuruí fica no Sul do Pará, o pessoal do Paysandu sabe que 90% das pessoas daqui são a favor da divisão. Agora em Belém vai ser a mesma coisa. Eles provocaram isso. Se eu quiser, estou no direito de entrar no Mangueirão com uma faixa", bradou.
Como a primeira partida terminou em 2 a 2, quem vencer leva a taça; no caso de empate por qualquer placar, a decisão vai para os pênaltis. Agora que a polêmica já está em pauta, o presidente do Independente diz que sua torcida quer uma resposta e já tem até o texto da faixa: "Carajás Já". Mais do que o título do Parazão 2011, a vitória será fundamental para ambos os lados: o Paysandu reforçará a identidade paraense, já o Galo Elétrico iniciará a construção da identidade do Carajás.
"Lá [Navegantão] era uma decisão, não lugar para a política. Eu, pessoalmente, sou totalmente favorável ao Carajás. Estamos analisando a possibilidade de uma faixa", afirma o presidente do Independente, Deley Santos. "O pessoal daqui está me ligando desde o domingo para que a gente entre com a faixa, em resposta à capital. Eu estou ponderando. Todo mundo aqui está pressionando pra isso."
O jogo será só no domingo, mas a briga esquenta ainda mais. Agora que o Papão tomou partido, está em duas disputas, a divisão do Pará e a final do campeonato. A diretoria do Paysandu iniciou a disputa e já espera a réplica do time interiorano. O presidente do time, Luiz Omar Pinheiro, argumenta que a decisão foi da diretoria, não apenas do presidente. Para o cartola, a motivação do ato era óbvio. "O objetivo da faixa é claro. Nós, do Paysandu, somos contra a divisão do Pará. Nosso Estado nasceu nasceu grande, é grande e somos contra que ele seja dividido", justificou o presidente.
No momento em que os jogadores do Papão entraram em campo com a faixa, houve algumas vaias e um esboço de reações hostis. Mesmo depois da reação do público, o presidente do time da capital acredita na iniciativa. "A ideia foi muito boa. Serviu para despertar o povo de Tucuruí. Era uma mensagem para eles refletirem se a divisão é o que eles querem mesmo, pensarem na situação."
Se o time da região separatista entrar no Mangueirão com uma faixa, Luiz Omar diz que vai continuar com a pendenga. A final do Parazão 2011, mesmo sem o tradicional embate Re x Pa, mostra que terá todo o calor de um grande clássico, desta vez com a divisão do Estado apimentando a partida. "Se eles entrarem com a faixa, eu entro no Mangueirão com outra. Estou pensando em escrever outra frase. Eu digo que o Pará é do paraense, e não de forasteiros que vêm de outros Estados dizer que precisamos nos dividir", disparou.
Amazônia.
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