Foi bonito enquanto durou.
Mas o projeto Ricardo Gomes/Cristóvão está perto do fim.
Depois da vitória diante do Lanús ontem, a torcida vaiava, revoltada.
A insegurança que domina o time passou para os torcedores.
De nada adiantou Diego Souza ter alguns segundos de Pelé.
E marcar um gol antológico, com direito a chapéu e tudo.
Os torcedores deixaram São Januário apavorados.
Sabem que a vantagem por 2 a 1 ficou pequena.
Basta aos argentinos uma vitória simples por 1 a 0 e adeus Libertadores.
Como o time já deu ao Carioca, perdendo para o Botafogo.
Ricardo Gomes teve um grave AVC há oito meses.
Desde então, Dinamite tem mantido Cristóvão no cargo.
Os jogadores se uniram por ele.
Juninho Pernambucano e Felipe deram toda sua rodagem e experiência para manter o rumo do time.
O Vasco se superou.
Já havia vencido a Copa do Brasil.
Sem Ricardo Gomes foi vice do Brasileiro, brigando com o Corinthians até a última rodada.
Ficou em terceiro na Copa Sul-Americana.
O técnico não se recuperou.
E a situação perdurou.
Só que Cristóvão começou a perde o fôlego.
Com a terrível contribuição da diretoria, é claro.
Os atrasos nos salários começaram a pesar.
Mas dentro do campo, o Vasco não se reciclou.
Continuou um time preso a um esquema mais do que conhecido.
Equipe talentosa, mas lenta e vulnerável.
Seu toque de bola ficou decorado pelos adversários.
Não foi por acaso que caiu no Rio.
O que acaba de acontecer em São Januário foi emblemático.
Cristóvão colocou sua equipe de forma franca demais para enfrentar o Lanús.
Como se não conhecesse o adversário.
Só tinha um volante de marcação, Rômulo.
O resto do time do meio para a frente era para dar espetáculo.
Juninho Pernambucano, Felipe, Diego Souza, Éder Luiz e, vá lá ..., Alecsandro.
Gabriel Schürrer montou sua equipe para marcar forte e contragolpear em velocidade.
Como todos adversários vascaínos fazem.
O talento se impôs diante da lógica no primeiro tempo.
Alecsandro e Diego Souza mostraram seus potenciais para marcar.
O atacante desengonçado de coxa.
E o meia depois de um chapéu maravilhoso em Braghieri e marcou.
Se não pegasse mal, o zagueiro teria pedido autógrafo a Diego Souza.
Vontade não faltou a ele e aos eufóricos torcedores.
Embora o Lanús tenha criado e perdido chances importantes, os torcedores aplaudiram o time assim que acabou o primeiro tempo.
A vantagem por 2 a 0 era interessante.
O desejo era que ficasse maior na etapa final.
Mas o que esperava a todos era a decepção.
O Vasco voltou da mesma forma.
Só que seus veteranos jogadores cansaram.
O Lanús precisava descontar e adiantou seu meio de campo.
A troca de bola ficou mais objetiva, explorando a frágil marcação brasileira.
E foi assim que marcou, com Regueiro, aos 17 minutos.
Após o gol, a reação de Cristóvão foi imediata.
Trocou o toque refinado de Felipe pela limitação de Fellipe Bastos.
A torcida não o perdoou.
E começou a chamá-lo de burro.
O time carioca perdeu o rumo.
Os argentinos perceberam o momento ruim do adversário.
E massacraram o Vasco.
Graças a Fernando Prass, à falta de pontaria e ao Cristo Redentor que o Lanús não empatou.
Ao final partida, o coro de burro a Cristóvão foi ensurdecedor.
Os jogadores esperaram o treinador e fizeram questão de ir embora com ele.
A cena foi linda.
Mostrou união.
Mas os dirigentes estão enxergando além.
O Vasco não pode esperar mais por Ricardo Gomes.
Precisa de um treinador mais vivido do que Cristóvão.
O clube voltou a disputar a Libertadores depois de 11 anos.
Mas a utopia começa a acabar.
O Vasco tem um elenco que pode ir além.
Só falta orientação.
Cristóvão ainda é um excelente auxiliar.
Todos percebem.
Os torcedores em São Januário não deixaram dúvida sobre isso.
Acabou a paciência.
Poucas vezes uma vitória foi tão vaiada na história da Libertadores.
Cosme Rímoli
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