Um dia após ter chegado à ponta da artilharia do Campeonato Paraense, igualando-se a Branco, do Águia, ambos com onze gols, o atacante do Cametá Rafael Paty afirmou, ontem, no hotel Paraíso, onde o time está concentrado, que o mais relevante no primeiro jogo da decisão do título estadual, contra o Remo, não foi nem ter aumentado sua marca na tabela de goleadores. "O que mais me satisfez foi ver nosso time jogando com vontade e conseguindo a vitória", declarou. Paty, no entanto, não deixou de admitir que ter seu nome entre os principais goleadores do Campeonato Paraense é um detalhe importante e honroso para a sua carreira.
"É evidente que todo atacante quer estar entre os artilheiros, afinal de contas isso dá visibilidade não só no futebol local, mas até em situação nacional", salientou. Para o artilheiro, o Mapará teve alguns pecados no primeiro confronto da decisão. "Erramos muitos passes, o que não é comum na equipe", disse. "Mesmo assim, pelo tempo que ficamos sem jogos oficiais, acho até que a quantidade de erros foi aceitável", avaliou o atacante, que fez uma previsão: "Acho que no segundo jogo nosso aproveitamento neste quesito será superior", previu.
Embora o Mapará tenha a vantagem de jogar pelo empate, Paty se diz contrário à ideia de o time entrar em campo pensando no regulamento. "Essa vantagem tem de ficar no vestiário. Acho que não vale apenas se beneficiar disso sem que o jogo já tenha acontecido", comentou.
O atacante deu a receita que ele julga ideal para que o time do Baixo Tocantins consiga chegar à meta de se tornar campeão estadual pela primeira vez em sua história. "Temos de jogar o jogo, como fizemos na segunda-feira. Nada de ficarmos pensando nessa situação de vantagem", ensinou.
O artilheiro lamentou o gol que perdeu e que poderia ter deixado o Cametá em situação mais confortável para o jogo de volta. Ele tentou explicar os motivos que o levaram a desperdiçar a chance de marcar o seu segundo gol e o terceiro do time na partida. "Juntou um monte de coisa naquela situação", recordou. "Uma delas foi a dúvida que tive em tentar o gol ou dar o passe para o companheiro mais próximo", prosseguiu. "O Adriano (goleiro do Remo) também teve o seu mérito, pois ele saiu bem, fechando o ângulo para o meu chute", concluiu.
Cartola fica atento à pressão do time grande
O presidente Orlando Peixoto assegurou, ontem, que o Cametá continuará prestigiando a arbitragem local para o jogo decisivo de domingo, contra o Remo, que apontará o campeão paraense da temporada. Na avaliação do dirigente, o Mapará não tem motivo para pedir a vinda de um apitador de outra federação. "Até agora a arbitragem daqui tem mostrado idoneidade", justificou. "Fizemos todos os nossos jogos com arbitragem local e em todos eles os árbitros escalados não comprometeram", prosseguiu Peixoto. Apesar de todos os elogios, o cartola assegurou que o Mapará está atento a qualquer manobra de bastidores para favorecer o adversário.
"Sabemos que a pressão é muito grande, por isso nossa vigilância deve ser ainda maior para evitar algum tipo de manobra que venha a prejudicar a nossa equipe", comentou. Peixoto lamentou o fato de o Mapará não ter conseguido uma vantagem maior para o segundo jogo da final do Paraense. "Chances não faltaram", lembrou. "Tivemos pelo menos umas duas oportunidades claras de aumentar a vantagem. Mas de qualquer maneira confiamos no trabalho que vem sendo feito pela comissão técnica e pelos jogadores", disse.
O presidente revelou que já conversou com o elenco para tratar de pagamento de premiação em caso de conquista do inédito título estadual. "Não vou falar de valores, pois fica uma coisa até ruim de comentar", alegou. Com relação à possibilidade de o Mapará vir a disputar a Série D do Brasileiro, caso seja campeão, Peixoto ratificou o que havia informado na semana passado, ou seja, de que o Mapará não abrirá mão do direito de disputar a competição. "Ainda mais agora que a CBF resolveu pagar as despesas", salientou. "Sem essa ajuda ficaria muito difícil, já que cada jogo fora não sai por menos de R$ 40 mil, mas tendo essa ‘mãozinha’ da confederação, sem dúvida que as coisas ficam bem mais fáceis", argumentou.
O dirigente observou que o clube tem seu elenco completo para participar do Nacional. "Podemos até perder um ou dois jogadores, mas a base pode ficar", disse. O presidente, porém, fez questão de salientar: "Primeiro estamos pensando no jogo de domingo, contra um adversário forte, que é favorito. Ainda não vencemos nada e temos o maior respeito pelo Remo, mas, com humildade, muito trabalho e a ajuda de Deus podemos superar o favoritismo do adversário e levantar o título", arrematou.
Amazônia.
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